sábado, 19 de dezembro de 2009

Valência

No fim de semana passado minha mãe e eu fomos a Valência, local que, se tudo desse certo, deveríamos chegar depois de 4h de trem.
Não foi o caso.
Já achamos meio atrapalhação ter de trocar de vagão: em dado momento, só os três últimos tomariam a nossa direção, e os da frente seguiriam para outro destino. Como isso não foi avisado previamente, estávamos acomodadas no lugar errado e passadas algumas estações, comunicaram a galera (não éramos as únicas), que precisou juntar todas as malas e tralhas, descer em uma estação e sair correndo para os últimos antes do trem partir.
Nem dez minutos se passaram desde essa função e nosso meio de transporte estragou. Estávamos no meio do nada e a solução foi esperar até que um outro trem chegasse e (sei lá o que aconteceu) nos empurrasse(?) até a estação mais próxima, onde precisamos descer novamente e esperar o próximo. Ok, tentei não perder o humor.

O frio estava a nossa espera, acompanhado de vento intenso.

Valência é a capital da Comunidade Valenciana e é, em número de habitantes, a terceira maior cidade da Espanha, perdendo para Madrid e Barcelona. Mas no que diz respeito à capital da Catalunha, ela é maior em área: 91,4km² X 134,65km². E essa foi uma impressão que tivemos antes mesmo de confirmar os dados, percebemos ruas mais largas, espaços mais amplos...
Entrou para a lista de "cidades moráveis", já que é grande e deve ter muito para se fazer no dia-a-dia, e não só quando se está de turista.
Lá também se fala catalão, mas muitos valencianos consideram a sua língua diferente da falada na Catalunha, e a chamam de valenciano (valencià). Os catalães e alguns dos habitantes de Valência consideram o valenciano uma variação do catalão, como se fosse um "sotaque", o que permite que ambos possam se comunicar sem maiores problemas, como acontece entre o português de Portugal e o português do Brasil.
Aqui em Barcelona, e na Catalunha, em geral, com toda essa questão idependentista e de manutenção de um idioma próprio, as placas explicativas nos ônibus, no aeroporto e etc - até os "Empurre/Puxe" das portas - vêm escritos em catalão, em primeiro lugar, depois em castelhano e por fim em inglês. Em Valência o castelhano está antes do catalão, o que me chamou a atenção e ganhou minha simpatia.

A Plaza de Toros de Valência, de 1860, fica ao lado da estação de trem pela qual chegamos.







Nosso hotel tinha um elevador com acesso direto a um shopping - o que foi muito prático para compras e alimentação - e estava super bem localizado.




Ao ladinho estava o "El Corte Inglés", que foi super útil quando precisamos fazer hora até a ida à estação de trem, com malas e tudo. Até porquê choveu, então acabou servindo de abrigo também.

Além disso, ficamos hospedadas na cara da chamada "Cidade das Artes e das Ciências" (Ciutat de les Arts i les Ciències). A estrutura moderníssima é um complexo arquitetônico, cultural e de entretenimento. Os prédios são: L'Hemisfèric, Museu de les Ciències Príncep Felipe, L'Oceanogràfic, Palau de les Arts Reina Sofia e L'Umbracle

























Todas as construções estão sob o Rio Tunia, que acaba funcionando como espelho d'água para as estruturas. Um graaande número de fotógrafos se espalha pelo lugar para capturar os diferentes ângulos dos edifícios.
Geralmente eu vou tirando fotos compulsivamente nas viagens, e nessa eu fui super econômica, nesse sentido! E mesmo assim, como a maior parte foi de noite e eu não tinha nenhum apoio que pudesse servir de tripé, elas ficaram meio desfocadas...
Mais detalhes e fotos da chamada "Cidade Futurista" aqui. De qualquer forma, o Google está cheio de informações e imagens, caso alguém tenha interesse.

Também conhecemos um pouco do Centro Histórico no dia seguinte, mas o frio realmente impedia de que fizéssemos muitos movimentos, ainda mais com chuva. Fomos praticamente "obrigadas" a comprar luvas, tanto pela temperatura que fazia quanto pelo preço que elas custavam, algo bem irresistível.

Na volta, mais problemas com o trem e, enfim, depois de muita espera e falta de informação sobre o que estava acontecendo, chegamos em Barcelona!

Foi um passeio rápido e, apesar da falta de sorte com os transportes, valeu a pena!
Minha alma não é pequena, hehe.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Türkiye - o fim do encanto

Chegamos na Tuquia pelo aeroporto de Antalya, mas a volta seria desde o da Capadócia, que tecerei comentários daqui a pouco. Isso quer dizer que não seria necessária mais nenhuma "viagem" para ir embora, era só se encaminhar para lá e tudo ok. Todo mundo acordando cedo para termos tempo de passar em alguns outros lugares antes da despedida.
Primeiro, fomos num local cheio de lojinhas que rondavam uma vista linda - coisa que já estávamos acostumadas a ver no país: o Vale dos Caçadores.

       


Como já se sabe, o olho turco é conhecido por (supostamente) proteger contra energia negativa e trazer sorte. Em turco, é chamado de Nazar Bancugu. (Bancugu = “conta”, de rosário; Nazar, do árabe, = olhar, visão). A crença é de que, quando existe algum mau olhado, o amuleto absorve a energia e se quebra, protegendo a pessoa da negatividade. Por acreditar-se que o mau olhado é azul, o olho de vidro tem a mesma cor, já que seria o mais eficaz para desviá-lo.
 
Aí pertinho um turco pediu para tirar uma foto comigo e anotou o email, que era para eu enviar para ele depois. Fui pressionada pelos que me cercavam a aceitar e acabei não conseguindo escapar dessa. Não é que eu queira iludir as pessoas, mas ele que espere sentado, essa foto nunca chegará.


Em uma dessas comunicações com nativos, descobri que dentes separados, para eles, são sinal de sorte.. O cara que disse isso estava falando justamente de mim, então né, apesar de não ter acreditado muito nessa , me dei bem!

Subindo para uma região mais alta (ou pelo menos foi essa a minha impressão), conhecemos o povoado de Uçhisar, que tem como "atração" a sua Fortaleza, lá em cima.
   
Devo ter comentado que várias pessoas vivem nas rochas... Aí está uma prova de que elas são realmente habitadas.
         


Eu subi, desci, fui mais uma vez, voltei, e esse velhinho estava sempre aí no solzinho, sem sequer variar muito na posição

Mas descolou uma almofadinha para ter mais conforto...
    



     
A saruel surgiu no Marrocos mas, como sabemos, se espalhou pelo mundo. E pelo menos lá pelo Oriente Médio, não há idade certa para vestir essa moda.


Da fortaleza, fomos levadas para uma loja de couro, parte daquela coisa bem turística mesmo. Os preços eram etiquetados em liras turcas e, como o valor de muitos produtos já eram informados em euro, e não na moeda local, as cifras assustavam um pouquinho no início. A conversão é mais ou menos 1€ = 2,18TL, ou seja, para pagar em euro deveríamos divir o número por dois. Enfim, não compramos nada e nem tinha muita coisa chamando atenção - além das bolsas.
Comemos a tradicional pizza turca (pide) -  que é ultrafina, comprida, picante, e pode ser "incrementada" com salsa e limão - e já fomos ao aeroporto, e é esse o momento do comentário: caos total. O lugar é minúsculo, mas minísculo mesmo, um único andar, com poquíssimos metros quadrados. Ônibus e mais ônibus de excursões estavam chegando no local na mesma hora que a gente, e uma fila foi se formando logo para entrar, já que o detector de metais e o raio-x ficam na porta, um esquema nada prático e muito atrapalhado. As pessoas mal descem dos transportes e já começam a retirar relógios, cintos, e quaisquer outros objetos metálicos que tragam consigo, jogam as garrafinhas d'água fora (não dá para viajar com certas quantidades de líquidos), vão procurando passaportes e documentos, e deixam transparecer todo o mal humor da situação.
Certas nacionalidades devem pagar taxas de visto na Turquia, que é de 15 euros. A nossa não está nessa listinha, o que significa dois carimbos - de Antalya, na entrada, e de Kapadokya, na saída - de graça.
Todo mundo perdendo a compostura e se acomodando pelo chão mesmo, já que as cadeiras não eram suficientes nem para a décima parte das pessoas que estavam ali.

Como estávamos saindo de uma região mais central da Turquia, tivemos uma hora a mais de vôo do que na ida. Fomos pegas por um sustinho nada leve: queda(?) de altitude brusca, turbulência e chuva. O céu já estava escuro (como eu escrevi antes, o pôr-do-sol era sempre pelas 17h) e não tinha muito o que se ver pelas janelas. Estava eu distraidassa quando, em segundos, tivemos uma sensação parecida com uma descida rápida de uma carro numa lomba, aquela coisa louca no estômago mas sem nenhuma vontade de "quero mais", para quem gosta desses momentos e pede para o motorista acelerar. Escutei uns "uy, uy, uy" de alguma espanhola que estava por perto e as expressões ao redor eram de pânico. Menos a da Bianca que, repetindo a reação da zona de tormenta em Lleida, na volta de Bilbao,  não demonstrou seu transtorno mas contribuiu para o medo alheio. Ela estava na janela, do meu ladinho, e começou a descrever a situação em que estávamos: "Gente, tá um TEM-PO-RAL lá fora!"
E eu, em desespero: "Bianca, eu não quero sabeeer!!!! Fecha essa janela, pelo amor de Deussss"
Educadamente, é claro - hehe.
Tudo tremendo por intermináveis minutos.
Como é de praxe depois de circunstâncias assim, no momento do pouso, aplausos para equipe. Mas eu não curti esse piloto não, heiiinnn

E se acabou todo o encantamento que vivenciamos durante esses dias. As lembranças são fortes e continuamos comentando momentos da viagem com bastante frequência, justamente por ter sido uma experiência tão incrível para cada uma nós.
Destino mais do que recomendado!